Radicalidade na vivencia do pastoreio, castidade, solidão, silencio, fraternidade e intimidade com Deus.

Gabriela (missionária da comunidade de vida shalom em fortaleza)

Como cristãos estamos todos submetidos a obedecer a cristo e à santa igreja, que na figura do papa, de seus bispos e presbíteros exerce a função de nos direcionar nesse mundo, nos ensinando a viver em cada tempo a verdade fincada há dois mil anos.

A comunidade católica shalom traz nesse mistério de obediência uma inusitada novidade, que por muitos pode ser considerada uma loucura, mas para nós é a vontade de deus manifestada na realidade da juventude de fortaleza. O Senhor, em sua imensurável bondade, desejou nos dar a graça do pastoreio jovem, incitando no coração de nosso fundador a necessidade de transmitir essa peculiaridade do carisma a todas as vocações e estados de vida, e por isso hoje além do pastoreio eclesiástico, nós da comunidade shalom vivemos a obediência leiga e colhemos os frutos dessa graça, vontade de Deus para nossas vidas.

A grande vantagem do pastoreio jovem se encontra no fato de assim como os profetas que foram chamados a atualizar a lei de Deus na vida dos israelitas, nós jovens somos chamados a atualizar o evangelho que ao ser pregado por nós emerge de nossa subjetividade e cultura cheio de força, tornando-se real e palpável para aqueles a quem deus deseja tocar o coração.

A obediência leiga traz consigo grande responsabilidade uma vez que a igreja, os pais das ovelhas e a comunidade passam a confiar em nós a missão que lhes foi delegada pelo próprio cristo. Devemos responder a essa confiança com grande radicalidade de decisão e com responsabilidade madura e nada menos do que isso. Viver a castidade e viver em oração profunda e íntima, independentemente de nosso estado de vida, é essencial para que nossa miséria não frustre o plano de deus para nós e para nossos irmãos.

Nessa pregação a Gabriela abordou o tema da castidade e lançou duas indagações, se a castidade para nós era melhor representada por uma represa que remetia ao autodomínio da racionalidade, da energia ordenada para o amor ou se por uma cachoeira que ininterruptamente se doava num movimento constantemente dinâmico. ou ainda se a castidade poderia estar ligada em sue significado à chama de uma vela , sóbria, constante, que iluminava somente o suficiente para o próximo passo ou a um incêndio numa floresta, que rapidamente a consumia, limpando-a das ervas daninhas e preparando o terreno para o novo que estava por vir.

Ela nos explicou que apesar de sempre ligarmos a vivencia da castidade a renuncia, esta era só o seu aspecto interior, uma vez que o que deve refletir da ordenação dos afetos é a integralidade da doação que só atinge seu ponto máximo quando há inteireza do ser de quem pretendo doar. Explicou-nos que castidade, ao contrario do que muitos pensam não é reter desejos, vontades e afetos, mas antes disso possuir tudo o que sou e tudo o que há em mim e assim em vez de esconder-me mostrar-me para o mundo.

Só inteiros poderemos nos doar ao mundo na perspectiva da evangelização e ao outro, objeto do nosso afeto para que nos empenhemos na formação de famílias santas. Quando da criação do ser, éramos inteiros, e por isso sempre prontos para ouvir a voz de deus, o pecado nos distanciou dessa nossa natureza, mas mesmo assim não nos fez incompletos e por isso somos chamados a buscar aqui na terra essa inteireza que provém de deus.

A cultura moderna que vive constantemente o vazio de estar distante de deus, reportou para o sexo oposto a maior possibilidade de completude e por isso hoje vivemos um tempo em que o amor romântico é pregado como fonte de felicidade e completude quando na verdade para nos relacionarmos devemos primeiro estar completos em deus, caso contrario nos frustraremos nessa busco da completude no outro que sempre será incapaz de suprir essa nossa necessidade de deus.

Nossa mídia, entendendo que o vazio humano é um excelente produto a ser explorado e vendido nos cercou de musicas, filmes, festas, livros, poemas, sites de relacionamento que alimentaram naqueles que estavam suscetíveis a novos conceitos de felicidade essa falsa expectativa de completude no outro, e nessa perspectiva as pessoas vão se aventurando em relacionamentos em que entregam suas vidas no desejo de alcançar a felicidade plena mas em pouco tempo descobrem que não a encontrarão,e então já é tarde demais e os corações já estão feridos, machucados e mais distante de deus. Essas feridas e carências potencializadas pela rejeição do sexo oposto geram uma inversão de valores, em que a própria felicidade, a comparação com o outro e o desejo de possuir substituem a doação e o amor decodificando a felicidade na linguagem de nossas concupiscências.

Precisamos hoje receber de deus a graça da reconstituição, para que possamos assumir o caminho de doação integral, nos deixando ser amados por deus que é o único amor que eu necessito receber, a única fonte certa que consolará o meu coração, precisamos entender que ninguém pode ser fonte de amor para mim, pois ninguém é suficientemente capaz de me amar como eu fui criada para ser. A inteireza do ser humano em deus não gera individualismo, pelo contrario, a doação, por ser própria da capacidade de dispor de uma vida santa necessita do outro para encontrar seu sentido de vida.

Quando deus é fonte de amor, quando ele me basta e me sustenta em pé, tudo o que recebemos do irmão é bônus e se não criamos expectativas no amor do outro, nossas relações tornam-se santas e saudáveis e nem nós, nem a pessoa com quem nos relacionamos se decepciona ou se machuca. Essa é a gratuidade do amor pregada por Jesus e à que nós somos chamados a viver. Não nos esqueçamos que nosso chamado é altíssimo e nossa felicidade sobrenatural.

Entendamos à fundo ao que somos chamados. A castidade não é somente abstinência sexual, um namoro incontinente nunca será casto, mas nem sempre um namoro continente será casto, uma vez que ainda posso centrá-lo em mim e incorrendo nesse erro poderei me relacionar de forma não santa querendo atender meus desejos, que mesmo não ligados a genitalidade podem encontrar-se nas áreas carentes da sexualidade e afetividade, assim me perderei em mim, na minha própria lógica expulsando deus de partes da minha vida e abrindo mão da inteireza do meu ser.

O foco é esse! O que me faz viver a castidade é a inteireza do meu ser e a integralidade da minha doação que me fazem ordenado para o amor. A adesão ao chamado de deus a castidade nos faz ir na “contra mão do mundo”, e não gosto de usar essa expressão porque na verdade vamos na contra mão do mundo, mas é o mundo que nada contra a correnteza, é ele que se cansa indo contra sua própria natureza, nós nadamos para deus e por isso nossa vida é um movimento continuo para o amor, nós não nos cansamos dela, pois sabemos pra onde nadamos. Nadar para o amor não torna nossa vida mais fácil, pois bem conhecemos as barreiras as barreiras que enfrentamos para receber de Deus esse amor que dá sentido ás nossas vidas.

Para mim, são três as coisas indispensáveis para que possamos viver a radicalidade da vontade de Deus nas nossas vidas e assim vencermos essas barreiras, a primeira delas é a castidade a segunda a solidão, é necessário que tenhamos nossos momentos à sós com deus. Sabemos que Deus se dá de várias formas, em momentos diferentes e de formas diferentes, se nos contentamos com parte dessa doação tão perfeita que se torna incompreensível a nós, viveremos a superficialidade da vida de oração, mas se ao contrario nos despojarmos de nos mesmo e nos colocarmos a disposição de estarmos com deus, não só nos grupos de oração, mas também em nossos momentos de solidão, provaremos dessa graça de radicalidade.

A solidão é uma necessidade dos santos e privilégio dado por Deus a nós, esse deus tão grande que se faz minúsculo para estar conosco em nossas casas, muitas vezes solo de pecado

(durante a celebração no sábado a noite, foi proclamado alguma coisa que eu não lembro bem sobre os sacerdotes no templo de salomão que adoravam a deus em grandes rituais muito bem preparados, quando a Gabriela falou sobre a solidão na oração ela chegou a fazer um paralelo com esse tempo dizendo que após a vinda de Jesus (que em sua humildade incompreensível ao homem, se despojou da qualidade de Deus para estar conosco) o homem pode orar olhando para a face do próprio deus criador, o que não vemos nas antigas escrituras que diziam que poderíamos ficar como mortos se víssemos a deus ( a gente vê isso em Moises, nos sacerdotes do templo de Salomão etc).

O mais legal é perceber que nada em um retiro é em vão, mas tudo é esforço de deus para nos fazer entender o que ele tem para nós!

Como já dissemos anteriormente a solidão é uma necessidade dos santos. Um homem americano que fez uma musica (que eu não lembro qual) dizia: “parece uma loucura, mas sinto necessidade de estar a sós contigo...” Francisco de Assis intimava seus irmãos a se retirarem do mundo para na solidão elevarem os corações a deus. Elevando nossos corações diariamente e assim observando as mãos de Deus em nossa história, entenderemos que somos únicos em nosso plano de salvação.

No mundo de hoje a solidão é rejeitada e além disso é característica das pessoas que normalmente não são queridas ou desejadas, para o mundo, uma pessoa só, tem problemas e por isso é desprezada. Um indicativo dessa tendência atual de rejeição a solidão é o uso do celular e a necessidade da conectividade onde quer que se vá. ( a Gabriela citou alguns números e pesquisas alarmantes sobre o uso do celular e sobre patologias que o mau uso acarreta (no Google vc encontra tudo) (uma nota: eu já vi muitas pessoas da minha família, ao chegarem no sitio, ficarem ansiosos, preocupados, paranóicos até, ao perceberem que a internet e o celular tem baixa conectividade! É até engraçado ver todo mundo com o celular em cima da cabeça balançando a todo tempo pra ver se “pega área” hasuhs).

É necessidade inadiável ficarmos a sós com deus, pois só assim nos encontramos entregues a ele, somente quando silenciarmos todo o barulho interior, poderemos receber de maneira única a vontade de deus.

O contrario da solidão não é fraternidade, erro de significado que normalmente cometemos, o contrario da solidão é a dispersão, e quem busca dispersar-se foge de deus e de si mesmo.

Quando em vários momentos do meu dia eu escolho por fazer outras coisas (licitas ou ilícitas) dando em troca meus momentos de oração, preciso entender de onde vem tanto medo de encarar o que há em mim.

Devemos deixar velhos costumes de estar sempre perto do barulho para nos concentrarmos no amor de Deus, permitindo que pouco a pouco ele tome o lugar que é dele nos nossos corações e pra isso devemos lembrar que quanto mais coisas nos tivermos nos nossos corações menos espaço haverá para deus e mais especificamente para a Sua vontade. A Dispersão se exterioriza em pequenos hábitos como o de ligar a televisão na hora do almoço ou na hora do banho, preferir ouvir musica no caminho para a faculdade à rezar um terço, assistir a muitos filmes românticos (esse último habito costuma despertar na mulher a dispersão através da carência afetiva que a leva a confundir sua sede de Deus com vontade pex. De ter um namorado (o falso romantismo, gera tbm nas mulheres o mesmo efeito que imagens de grande apelo sexual geram nos meninos em relação ao pecado contra a castidade) devemos então estar atendo aos sinais da nossa humanidade para que nunca nos afastemos de nossos momentos a sós com deus.

(gente, nessa parte da formação a Gabriela nos deu exemplos da sua própria vida, dos relacionamentos que teve, da relação com os pais, das dificuldades dos primeiros anos de consagrada.. mas eu não posso colocar na internet por não ter a permissão dela ;)* os exemplos são legais , com esforço dá pra lembrar) ;)**

DEUS HABITA A SOLIDÃO, e por isso em momentos difíceis das nossas vidas devemos buscar menos aos amigos e mais a Deus, pois os nossos amigos podem naquele momento consolar a nossa carência de atenção ou o desejo de ter problemas resolvidos apenas superficialmente através de uma nova visão que não a nossa, de ouvirmos que somos bons, que superaremos, mas esse amigo nunca consolará o nosso coração ou dará sentido ao nosso sofrimento, isso só alcançaremos com Deus. A Gabriela nos contou nesse momento, que o Moises em momentos de muita felicidade diante de vitorias da comunidade quando sentia vontade de correr e abraçar seus amigos, ia primeiro a capela partilhar sua felicidade com deus de quem provinha tanta felicidade. Na solidão é onde nos sentiremos amados por Deus, por isso é inconcebível que amemos o outro antes de vivermos a solidão, uma vez que somente quando optamos por ela é que aprendemos a amar.

(aff vou ter que dar uma pausa, a formação foi muito densa!!! Posto os outros tópicos amanha)

You can leave a response, or trackback from your own site.

2 Response to "Radicalidade na vivencia do pastoreio, castidade, solidão, silencio, fraternidade e intimidade com Deus."

  1. LILAAA.. FANTÁSTICO IMPRESSIONANTE COMO VOCÊ TEM O DOM DA ESCRITA!!! FICO IMPRESSIONADA!
    BEIJÃOO
    REBECA ROCHA

    Marilia!
    Muito bom esse post! A parte que eu gostei mais foi a parte que diz que Deus habita na solidao! Me fez lembrar uma musica que eu dou maior valor que é "Tempo de Deus - Kleber Lucas".
    E tambem uma musica do Gen Rosso que tem uma parte que diz assim "Tu também estás atrás da sombra que me dás". (tipo assim, reconhecendo que muitas vezes nao vemos a Deus, nao o sentimos, mas pela fé, sabemos que Ele está conosco, atrás da sobra que nos dá - essa sombra sendo aquilo que nos impede de vê-lo, fruto da Sua propria permissao)
    Já estou esperando o teu proximo post, hein?!
    Bjoss!

    Shalom!

Postar um comentário

Powered by Blogger