Philip Yance - Decepcionado com Deus


Antes de iniciar os estudos sobre O Plano de Salvação de Deus para a Humanidade não estava tão certa de que tanto amor devotado por Deus a nós era empregado na história de forma correta.

Acompanhem o meu raciocínio:

Somos fruto de uma geração marcada pela filosofia iluminista que tem como ponto de partida para que se alcance a sabedoria, a negação de deus. Como resultado, o homem moderno identifica-se de tal forma com seu próprio corpo que encontra grande dificuldade de aceitar que nem tudo o que é miistério no mundo pode-se tocar, sentir ou possuir. “sabendo” disso e nos amando pessoalmente e incondicionalmente como dizem os pregadores entusiasmados nas igrejas, perguntei-me porque Deus com toda a sua sabedoria e poder, não se manifestava para nós de forma clara.

Se, ao menos uma vez, por segundos que fosse, Deus, aos nossos olhos, ou falando em voz alta se manifestasse, então toda a humanidade materialista e descrente creria e encontraria sentido para a vida... Então porque Deus não faz isso¿

Fiquei absolutamente surpresa, quando, tentando encontrar respostas as minhas perguntas descobri que houve um tempo em que Deus se manifestou visivelmente e mais do que isso, vivia com seu povo, dizia-lhe o que deveriam fazer, premiava os justos e punia os que desobedeciam as leis de Deus. Para mim parecia o paraíso na terra, não havia duvidas nesse tempo sobre a existência de Deus, nem sobre qual era a sua vontade, restava ao homem apenas amá-Lo e obedecê-Lo.

Porém, ao continuar a leitura, para entender o que havia acontecido com aquele povo tão especialmente cuidado por Deus, nos livros de Josué e Juízes descobri que num prazo de cinqüenta anos os israelitas tinham se desintegrado, passando a um estado de anarquia total. Grande parte do restante do antigo testamento relata a historia deprimente das maldições (Deus havia dito que se obedecessem receberiam apenas bênçãos) preditas que se tornaram verdade.

Impressionou-me a forma negativa como os israelitas receberam a graça de ter acesso irrestrito a vontade de Deus, já que Para eles Deus mostrou qual era a sua vontade em 613 leis que regulavam desde assassinatos até a forma de preparar o jantar. Eles teriam apenas que obedecer, e foi somente isso que não fizeram, o passatempo nacional dos israelitas passou a ser encontrar maneiras de quebrar os 613 mandamentos. Quando Deus pedia que não declarassem guerra, eles organizavam exércitos, quando pedia que lutassem, fugiam amedrontados... Ficou claro que o homem não conseguiria cumprir um contrato com Deus ou mesmo conhecer por inteiro a sua vontade, uma vez que o desejo do homem era ser livre e se Deus ainda o amasse teria que trocar o relacionamento de sinais, milagres e retribuição diante da obediência, por um marcado pela misericórdia e perdão.

Tive a oportunidade de acompanhar a pregação de um estudioso da igreja presbiteriana que dizia que ficara provado da leitura do antigo testamento que quando o homem presencia muitos sinais e milagres de deus passa a amar os sinais e os milagres e não a Deus.

Mas antes de falar dos israelitas vamos voltar ao inicio e tentar entender essa historia de amor, traição e amor entre Deus e a Humanidade.

Da leitura da palavra de Deus podemos constatar a diferença entre todas as criaturas e o homem. O homem é a única criada à imagem e semelhança de Deus. E se Deus é livre, o homem também é livre. E se o homem é livre, guarda com ele o grande mistério da autolimitação de Deus: Deus criou o homem para amá-lo, mas o fez livre, e por fazê-lo livre deu a ele a prerrogativa de escolher estar distante de Deus e não gozar desse amor.

Mas num mundo criado para o homem, como Deus poderia dizer a ele que era livre¿ Deus criou então nesse mundo em que tudo era dado e provido ao homem, uma possibilidade do homem fazer a escolha entre obedecer e viver em paz com Deus e desobedecer e padecer distante do único amor. Deus criou o fruto proibido. E o homem fez a sua escolha.

Entendam, Deus nunca deixa de nos amar, Ele nos ama independentemente do nosso estado, escolha ou do nosso pecado, Ele sempre nos abraça como estamos, como faz o pai na parábola do filho pródigo contada por Jesus. Mas se estamos em pecado, distantes de Deus, porque assim escolhemos estar então é como se, diante da luz do sol, nos escondêssemos num quarto escuro. O sol, não deixa de brilhar com o mesmo calor e intensidade fora do quarto, mas nós escolhemos estar no quarto escuro, longe da luz e do calor. O nosso pecado, desobediência, desamor é uma barreira que impede que sintamos o amor de Deus, mas isso não quer dizer que Ele naquele momento não esteja nos amando. E foi assim que o homem, que através de sua escolha, distanciara-se de Deus. Anteriormente haviam andado e conversado com Deus. Agora, quando ouviram-no aproximar-se, esconderam-se entre os arbustos. Uma separação desajeitada se introduzira e minara a intimidade com Deus. Distante de Deus, o homem foi em uma geração (de adão para Abel) da desobediência ao assassinato. “Que fizeste¿ A voz do sangue de teu irmão, clama da terra por mim.”

A condição da terra continuou a se deteriorar até chegar a um ponto de crise, que a bíblia resume naquela que é talvez a sentença mais pungente jamais escrita: “então se arrependeu o senhor, de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração.” Essaa frase sem duvida me causa grande angustia, mas é explicada quando usamos a chave de interpretação para entender Deus que a igreja católica nos aconselha usar: Deus é amor. Se Deus é amor, não é inveja, não é dor, não é decepção, é apenas amor. Então se deus decidiu destruir o que havia criado, decidiu por amor, para que o homem não mais sofresse.

No momento em que Deus estava disposto a por fim na alegria vista em Genesis 1 nas águas de um grande dilúvio, surgiu Noé, um homem de fé, que andava com Deus, que mostrou-se grato por ter sido salvo e por isso soube amar verdadeiramente. Em Nóe, Deus encontrou, finalmente, alguém, sobre quem edificar seu povo santo e por isso o salvou, na historia que já conhecemos, Noé era tão maduro em seu relação com Deus, que diferente de adão soube obedecer a Deus, nos mínimos detalhes e mais do que isso, soube confiar, quando lemos sua hitoria percebemos que muitas vezes o que Deus lhe mandava fazer, parecia incoerente com a urgência da situação, mas Noé não desobedecia e até mesmo à metragem exata da arca dada por deus a Noé foi seguida com precisão, mesmo diante das nuvens carregadas que se aproximavam . E tendo salvado Noé Deus lançou uma nova aliança que vinculava não somente Noé, mas toda criatura viva. Deus fez uma promessa: Jamais tornaria a destruir toda a criação. Naquele momento, a bondade suprema de Deus, prometeu suportar a maldade humana, custe o que custasse. (e nós bem sabemos, e ele tbm sabia o que iria lhe custar: seu Filho único).

Não demorou muito para que o homem “testasse” essa tolerância de Deus. No episodio de Babel Deus optou por ser firme a sua promessa e não aniquilar, mas criativamente fazer com que a humanidade se desse conta de sua idiotice.

Retomando nossas questões iniciais, no tempo descrito no antigo testamento eu não poderia de modo algum queixar-me do fato de deus estar escondido ou calado. Porém, todas as vezes que Deus interveio entre os homens até aqui em nossa leitura foi para punir rebeliões. Mas o desejo do coração de Deus era ser amado pelo homens e não temido, Ele queria e quer que seus filhos sejam salvos e gozem da eterna alegria que é estar com Ele, quer ter um relacionamento maduro com seres humanos livres que insistiam em se portar, como vemos da leitura do antigo testamento, como crianças.

O Plano

Genesis 12 assinala uma mudança importante. Pela primeira vez desde os dias de adão, deus interveio não para punir, mas para por em ação um novo plano para a história humana.

Não havia mistério quanto ao que tinha em mente. Disse sem rodeios a Abraão: “ de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome... Em ti serão benditas todas as famílias da terra.”

O desejo de Deus era restaurar seu relacionamento com o homem, mas faria isso de forma gradativa, em vez de mudar toda a criaçao de uma só vez, faria isso primeiro com uma colônia pequena formada pela família de Abraão para que esta se estendesse pelo mundo.

Deslumbrado pelas promessas de Deus, Abraão deixou seu lar e migrou centenas de quilômetros até chegar a terra de Canaã.

Entretanto, apesar da honra tributada a ele como pai dessa nova raça, Abraão se destacou como o primeiro exemplo da bíblia de alguém profundamente frustrado com Deus. Milagres, ele os teve. Abraão hospedou anjos em sua casa, e teve visões místicas de fogareiros fumegantes. Mas existia um problema perturbador: depois da promessa, depois do fulgor da revelação, veio o silencio – longos anos de um silencio, que causava perplexidade.

“Vai para a terra que eu te mostrarei”, Deus disse. Mas Abraão encontrou Canaã seca como um deserto, seus moradores morrendo de fome. Para continuar vivo fugiu para o Egito.

“olhas para o céu e conta as estrelas se é que podes... Serás assim a tua posteridade”, Deus disse. Nenhuma promessa poderia ter deixado Abraão mais feliz. Aos setenta e dois anos de idade ainda vislumbrava uma tenda tomada pelos sons de crianças brincando. Aos oitenta e cinco pôs um plano de emergência com seu serva. Aos noventa e nove, a promessa parecia totalmente ridícula, e quando Deus apareceu para confirmá-la, Abraão riu na sua cara. Pai aos noventa e nove anos¿ Sara em roupas de gravidez aos noventa¿ Ambos deram gargalhadas só de pensar.

Um riso de zombaria, mas também de dor. Deus havia atiçado num casal estéril o maravilhoso sonho de fertilidade, e então se afastou e observou enquanto eles avançavam na fragilidade da velhice.

Deus, com isso, queria fé, e essa é a lição que vemos Abraão aprender na bíblia. Ele aprendeu a crer quando não sobrava qualquer motivo para crer. E embora não tivesse vivido para ver os hebreus encherem a terra, assim como as estrelas enchem o céu, Abraão viveu para ver sara dar a luz a uam criança, um menino, que para sempre preservou a memória da fé absurda, sue nome: Isaac, “riso”.

Vamos retomar:

Vimos que de inicio Deus ficava bem próximo ao Homem, falando diretamente, punindo seus pecados. Mesmo nos dias de Abraão, ele enviou mensageiros a domicilio. Na época de Jacó, entretanto, as mensagens eram bem mais ambíguas: um misterioso sonho com uma escada, uma luta disputada tarde da noite. E já perto do fim de Genesis, um Homem chamado José recebeu orientação de formas bem inesperadas.

José

Genesis diminui a velocidade quando chega a José e mostra Deus, trabalhando para nossa salvação por trás dos bastidores. Deus falou a José não através de anjos, como fizera na época de Abraão, mas através de meios tais como os sonhos de um tirano faraó.

(historio de José, nós conhecemos, Era o filho mais amado pelo pai numa família muito numerosa, que foi vitima da conspiração de seus irmãos que o venderam como escravo e sujando suas vestes de sangue entregaram-na ao pai como prova de que José havia sido atacado por uma fera. José foi como escravo para o Egito e teve a oportunidade de ajudar o faraó a interpretar um sonho que havia tido, No sonho apareciam sete vacas gordas e depois sete vacas magras, José disse ao faraó que as vacas representavam os anos de fartura e seca no Egito, aconselhou o faraó a construir grandes galpões para armazenar comida durante sete anos que seriam fartos para que as reservas fossem consumidas nos sete anos seguintes que seriam de seca. As profecias de José se confirmaram e quando chegou a seca os hebreus com os irmãos de José e sue pai já muito velho foram recebidos no Egito por José com grande festa – foi assim que o povo hebreu foi para Egito, para mais tarde ser libertado por Moisés.

Vocês estão percebendo que o plano de deus para que sejamos salvos em Jesus começa a tomar forma¿ José alcança grande prestigio no Egito e abre as portas para o povo de Deus formado por Abraão, para que o povo não morra na seca, para que não seja desintegrado pela fome, para que se una no sofrimento da escravidão, para que anos mais tarde escolha pela radicalidade na vivencia da escrituras configurando o judaísmo legalista que crucificou Cristo.

De volta a historia de José, percebemos novamente que em sua historia sofrida em que as boas ações eram pagas com mais sofrimento (vejamos: quando se nega a deitar-se com uma mulher casada, vai para uma prisão egípcia, ajuda amigos que o esquecem ...) ele aprendeu a confiar e Longe dos sinais e prodígios que desejaria receber por ser tão integro e justo, quando somente lhe restou a Deus ele aprendeu o que é estar firme na fé diante de toda tribulação. No fim de sua vida a confiança de José em Deus não se baseava na certeza de que coisas ruins não aconteceriam, mas no fato de que se acontecessem Deus as transformaria e o bem seria feito.

Reprimindo as lágrimas, José tentou explicar sua fé as seus irmãos assassinos: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem...”

O livro do Genesis na bíblia conclui-se com apenas uma família, descendente de Abraão, tão pequena que podemos chamar cada um pelo nome, esta família refugiada no Egito, se multiplica e é escravizada por um faraó hostil... Sua história continua a ser contada no livro do êxodo.

Quero abrir um parêntese para uma constatação:

De Genesis à Êxodo, passaram-se 400 anos do mais árduo sofrimento, mas em nenhum momento em nossas pregações ouvimos qualquer menção aos anos em que deus silenciou. Esse hábito, sem duvida provém do fato de preferirmos claramente os relatos bíblicos de vitórias aos de formação, Mas nossa fé só será verdadeiramente madura a ponto de gerar em nós o desejo de uma intimidade com Deus se passarmos e até esperarmos por esses momentos tão fecundos de penitencia, solidão e espera.

...

Imagine só: Você é hebreu um descendente de Abraão vc cresceu ouvido as maravilhosas promessas que deus fez àquele grande homem. “algum dia sua raça se tornara uma nação grandiosa, e vivera em paz, em sua propria terra” – Deus em pessoa fez esse juramento primeiro a Abraão e então a Isaac e a Jacó. Quando criança vc memorizou obedientemente em promessas mas agora elas parecem contos de fada, uma nação independente¿ você e seus vizinhos servem ao mais poderoso império sobre a face da terra; diariamente você sofre os insultos e sente os chicotes dos feitores egípcios, seu próprio irmão recém- nascido foi morto pelos soldados do faraó. Quanto a maravilhsa terra prometida, ela jaz em algum lugar no oriente, dividida e sob o domínio de uma dúzia de reis diferentes, foram quatrocentos anos de silencio até Moisés.

E então tudo aquilo que poderíamos desejar no começo dessa pregação aconteceu:

Primeiro deus apareceu a Moises, num arbusto com chamas, e se apresento, dizendo o próprio nome, disse audivelmente, meu povo já sofreu o suficiente, agora você vera o que farei.

E em seguida ele os libertou com a mais impressionante manifestação do poder divino a que o mundo já assistiu.

Dez vez interveio de uma forma tão grandiosa, que nem uma pessoa do Egito podia duvidar da existência do deus dos hebreus. Bilhões de sapos, mosquitos, moscas, pedra de gelo em forma de granizo e gafanhotos forneceram provas concretas a favor do senhor de toda criação. Durante os 40 anos seguuintes os anos da perigrinação do deserto, deus conduziu seu povo como um pai conduz seus filhos, ele alimentou os israelitas, vestiu-os, planejou seu itinerário de cada dia e lutou por eles contra o exercito egípcio.

Porém a reação dos israelitas diante de tal intervenção direita do poder de Deus nos faz pensar a respeito de com Deus desejaria se relacionar com seu povo.

O poder de deus e suas manifestações só poderiam suscitar no coração de seu povo a obediência a sua vontade, mas de nenhuma forma poderia fazer com que aquele povo o amaesse.

O poder pode fazer qualquer coisa, menos a mais importante, não consegue controlar o amor, as dez pragas do exodo mostram o poder de deus a ponto de forçar um farao a ficar de joelhos, mas as dez principais rebeliões registradas em números, mostram a impotência do poder em ocasionar aquilo que Deus mais desejava: o amor e a fidelidade de seu povo.

Nenhuma manifestação grandiosa da manifestação de deus conseguiria faze-los confiar em deus e o segui-lo.

Pex.:

Num campo de concentração os guardas possuem um poder quase ilimitado, é o depoimento de um numero muito grande de testemunhas, ao aplicar a força, conseguem que você renuncie a deus, amaldiçoe sua família, trabalhe sem remuneração, coma excremento humana, mate e enterre seu amigo mais chegado ou até mesmo sua própria mãe, tudo isso esta ao alcance desses guardas só uma coisa não está, não conseguem forçá-los a amá-los.

Deus, que na criação criou para si uma limitação, qual seja, a de não intervir no coração do homem não o obrigando de nenhuma forma a amá-lo, isso para que o homem pudesse ter a liberdade de escolher a quem amar e a quem seguir separasse agora com o “desafio” que escolheu talvez não superar: ter de novamente o amor do coração livre de seu povo.

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